Acabo de descobrir que estou preocupado demais com o futuro.
Querendo controlar os passos, o destino...
Destino?
Bom, se ele existir de fato será à minha revelia, não é mesmo?
Por isso, é preciso deixar correr... e viver.
destinado à escrita poética que se estende em reflexões sobre arte e cultura, além de divagações e pensamentos sobre trabalhos artísticos
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
A irritação da espera, uma velha sábia e quarenta minutinhos mágicos
Já não me lembro
ao certo como iniciou-se a nossa conversa dentro daquele voo cujo
atraso já avançava mais de uma hora de espera. E isto numa simples
ponte-aérea, em parâmetros já instituídos não operantes de uns
tempos para cá no nosso caos infra-estrutural e aéreo de país-sede
de Copa e Olimpíadas... (Meu Deus, o que é que ainda encararemos
até esses eventos em aeroportos como Congonhas, Tom Jobim,
Guarulhos, Santos Dumont...?).
Sentei numa das
poltronas localizadas na parte inicial do avião, diferentemente da
maioria dos colegas que vinham comigo do mesmo evento, o Trofeu Raça
Negra 2011. Era a minha vontade de, assim que o avião aterrisásse,
eu pudésse me livrar o mais rápido possível da aventura que é
voar hoje no Brasil. Ao meu lado, na poltrona do meio, estava um
senhora num traje não muito frequente em pessoas da sua idade: um
chapéu panamá, jaqueta vermelha (para abrigar-se da baixa
temperatura paulistana), calça jeans já bem desbotada e um par de
tênis. Agora recobro pela memória que no princípio do nosso
bate-papo (que viria a ser iluminado) fiz menção sobre seu chapéu
a la Tom Jobim. Ela me disse que vinha de Florianópolis após
passeio a cidades do interior do Chile e que fizera escala na capital
catarinense mais por insistência dos amigos do sul do país. Tudo
com muita leveza e sem aborrecimentos, diferentre de mim, todo o
fastio, pelo atraso do voo, pelo sono da noite anterior mal dormida,
por minhas revistas (possibilidades atraentes de distração) terem
ficado na mala despachada por insistência de um funcionário da
companhia aérea e por outras cositas que não vale a pena
ressuscitar aqui.
Muito vívida, Dona
Arminda, que só depois, no fluxo da conversa, fui saber que assim se
chamava, perguntou-me de onde vinha aquela trupe animada de figuras
de pele negra da qual eu fazia parte. Devo dizer que ela em nenhum
momento foi preconceituosa ou exerceu discrimanação racial.
Percebeu, na verdade, a relação entre aqueles artistas que
conversavam enquanto entravam no avião.
Disse a ela de onde
vínhamos, expliquei a natureza do evento e a entidade mantenedora,
respectivamente, a promoção da cultura negra e de seus fazedores e
a Universidade UniPalmares, da cidade de São Paulo. Dona Arminda
revelou ter admiração pela colega e atriz Elisa Lucinda, uma das
integrantes da trupe, lembrando de uma peça sua que assistira.
Perguntei, então, se não queria conhecê-la depois, já no Santos
Dumont, no Rio, prometendo mediar o encontro entre artista e fã, mas
a senhora, muito ética e discreta, disse-me que os artistas também
tem o direito de descansarem e não serem abordados em circunstâncias
como aquela. Achei um pouco exagerado, insisti em promover o encontro
entre as duas, mas ela se manteve na mesma posição e eu, afinal,
compreendi.
De repente, parecia
não existir mais assunto e que haveria entre nós aquele vácuo
sepulcral e constrangedor que costuma ocorrer entre dois indivíduos
que dividem assentos próximos num vagão de metrô, num banco de
ônibus ou em poltronas de avião. Foi assim na ida para São
Paulo... Até quando o sujeito me fez a gentileza de repassar as
embalagens do meu lanche que à comissária, permaneceu calado, como
que acelerando o processo para que não fosse incomodado na música
que ouvia no seu i-fone. E quando eu fazia fotos da paisagem vista
pela janela ao aterrissar, parecia desaprovar minha ação, com ar de
superioridade – devia me considerar um idiota, menos assíduo
viajador do que ele...
Ao voltar o olhar
para Dona Arminda eu a percebi comovente: pequenina, o rosto ainda
menor quase todo dentro do chapéu, com a mãozinha direita apoiando
o queixo como que tentando dormir mas sem conseguir, provavelmente se
sentindo só... Achei que queria conversar mais e que eu de repente a
fiz pensar que ela estava me atrapalhando. Então agora eu foi quem
"puxou" assunto:
- Dormiu?
- Não.
- Ãhh, porque eu não consigo dormir dentro de ônibus, táxi, muito menos de avião.
- Também não...
- Mas a senhora veio de onde?
E então ela me
contou o que já revelei no início desta crônica. Depois, comentou
que a vida de artista deveria ser bem difícil, instável e sem o
glamour que as pessoas costumam ver nessa profissão. Confirmei sua
especulação mas acrescentei que os prazeres de estar num palco
recompensam toda nossa luta.
Para não deixar o
bate-papo morrer, aproveitei o momento em que o aeroplano alçava seu
voo e revelei que viajar de avião é uma coisa que me deixa sempre
um pouco tenso, principalmente quando decola e quando encara
turbulências. E com a fragilidade do nosso serviço aéreo então...
- Ih, mas de Florianópolis pra cá, peguei muito mais turbulência – minimizou ela com naturalidade.
A senhora me disse
ainda que, nesses casos, a gente deve mentalizar uma luz branca sobre
o nosso destino de chegada e imaginar o contato, os abraços entre
nós e as pessoas e as coisas queridas que nos esperam, agindo como
se já estivéssemos "lá". "As pessoas não entendem
que a força do pensamento é maior que tudo", me exortou, sem
omitir que devemos ter cuidados, precauções na vida, é claro.
Se a companhia já
me estava sendo agradável, senti que com estas palavras acima eu
estava ao lado de uma pessoa muito especial e iluminada. Dona Arminda
me falou da presença do pensamento positivo em sua vida. Perguntei
se tinha religião, ela respondeu que de católica evoluiu com o
tempo ao espiritismo, contou experiências de sua vida bastante pobre
no início do casamento com o ex-marido, suas ocupações antes e
depois da aposentadoria etc etc etc. Contou-me que começou no
serviço público servindo cafezinho e terminou advogada, mesmo numa
época de opressão sobre as mulheres. Lembrei de meu avô falecido
recentemente, de sua história de superação, saindo da roça,
alfabetizando-se aos dezoito anos e tornando-se médico veterinário
anos depois. Fiquei emocionado. Contei a ela.
Mas, na verdade, eu
só queria ouví-la. Até o momento em que a senhora pediu para que
eu falasse um pouco de mim. Não costumo - nem mesmo tenho o gosto-
de falar de coisas muito pessoais. Exagero meu fruto do medo de ser
narcisista e de meu modo encimesmado, desconfiado. Mas, depois de
pensar um pouco, abri-lhe algo que me acabrunha constantemente: o
descontentamento com a falta de critérios de avaliação (de crítica
e de público) que observo em meu meio profissional, o receio de não
reconhecerem o quanto estudo e me esrforço, o medo ter feito a
escolha errada apesar do amor desmedido pelo ofício... as
injustiças, as inseguranças geradas por ser artista no Brasil,
especialmente.
E novamente Dona
Arminda me veio com a bendita "luz branca":
- Olha, não tenha pressa de nada, não fique ansioso e nem tenha medo. Apenas tenha em mente que você terá aquilo que deseja. Pense, no fundo, que você já é aquilo que busca... E verá que logo seu sonho vai se realizar! Certa vez meu ex-marido e eu não tínhamos um centavo para irmos trabalhar. Pedi a Deus com toda a fé e logo encontramos um dinheito no chão cujo valor pagava nossas passagens de ida – a volta, já seria outra história... Pode acreditar em mim! Pense positivo e todos, logo, também acreditarão no seu sonho!
Os aproximadamente
quarenta minutos de ponte-aérea já estavam perto de terminar, mas
nossa conversa fluía. Meu diálogo com as pessoas mais velhas,
aliás, sempre foi muito intenso. Se sempre nutri um forte sentimento
de inadequação ante às coisas (e às multidões) especialmente
durante a adolescência, isso, porém, jamais o foi com os mais
velhos. Não sei explicar. Uma moça, pelo porte delgado e pela
conversa que mantinha do outro lado do corredor, de vez em quando
parecia admirar a cumplicidade de velhos amigos que Dona Arminda e eu
demonstrávamos.
Houve tempo para a
pequena senhora solitária – cuja filha vive em Teresópolis com a
família e o filho, no exterior - falar-me, ainda, da atividade como
voluntária que exerce há dez anos numa fundação para cuidar de
crianças com câncer. Contou como é bonto o trabalho de dar suporte
às crianças (e seus pais) que vem de longe e que não possuem
recursos para manter os gastos da doença e da distância; como é
tocante ajudar a dar dignidade a vidas mesmo que no breve período
que lhes resta; como que o primeiro contato de espanto com crianças
muitas vezes já mutiladas por consequências da doença se converte
imediatamente numa revalorização da vida nos seus aspectos mais
simples em vez de reclamar, reclamar e reclamar de coisas tão
pequenas quando se tem saúde.
Dona Arminda disse
que sua fundação precisa de voluntários homens. Ficou o convite,
entendi logo – por ser homem e por ser artista, o que estimula
muito engajamento de outras pessoas. Trocamos e-mails e telefones.
Mas pediu para que a procurasse antes do dia vinte de janeiro, pois
sua próxima viagem será nesta data, rumo ao Leste Europeu. As maçãs
enrugadas de seu rosto e seus lábios encheram-se de prazer ao falar
das cidades já visitadas: Paris, Moscou, Atenas... e agora Praga,
Viena, Budapeste...
Prometeu me enviar
um e-mail com detalhes sobre a fundação e pediu para que eu fosse
logo, "antes dela morrer". E eu disse "que é isso,
Arminda!", pois ela já me pedira para não chamá-la nem de
"dona" nem de "senhora". (Mas fiquei pensando, na
verdade até agora penso se não foi um sinal a condição que me
impôs: "antes de ela morrer...". Bom, ligarei ainda essa
semana, se minha memória não falhar). Para arrematar aquele
encontro com um tirada digna de um contista que calcula os passoa
rumo ao momento final surpreendente de uma narrativa, ela mandou:
- Você já voou de paraquédas?
- Ãhn?
- De paraquedas, eu disse?
Fiquei passado!
Disfarcei o quanto pude para a boca não cair.
- (Minha réplica foi o silêncio)
- Pois faça. É o melhor remédio para se perder o medo. No início dar uma coisa no estômago, mas depois, é uma beleza, uma liberdade indescritível! Faça isso!
Eu, jovem velho, com
tantos medos, e ela, idosa, tão disposta. E antes a própria chegou
a perguntar se eu conhecia a diferença entre velho e idoso. Você já
pode imaginar qual é. Idosa é a cronologia, irremediável; velha ou
jovem pode ser a alma – independente de idade. Sinto que ela
percebeu no seu íntimo que eu precisava ouvir tudo o que ela me
disse. Um anjo enviado por Deus, a Dona Arminda!
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Percebi que apesar
de toda aquela espera causada pela má adiministração corriqueira e
das autoridades de nosso país que não aplicam como devem o dinheiro
de nossos impostos, antes de embarcar naquele voo eu estava
irritadiço demais, cansado demais daquilo e de outras cositas
pelas quais não merecem que nos consumamos tanto, principalmente
quando só se tem vinte e poucos anos... Eu stava "velho" e
Dona Arminda me rejuvenesceu, me devolveu, na verdade, à idade
eterna dos que sonham.
Izak Dahora
sábado, 6 de agosto de 2011
Baudelaire
"O que não é ligeiramente disforme parece insensível - donde decorre que a irregularidade, isto é, o inesperado, a surpresa, o espanto sejam uma parte essencial da característica da beleza. O Belo sempre é estranho."
(Baudelaire, poeta francês - extraído da introdução de "Ler o teatro contemporâneo", de Jean-Pierre Ryngaert).
(Baudelaire, poeta francês - extraído da introdução de "Ler o teatro contemporâneo", de Jean-Pierre Ryngaert).
Ítalo - ou a morte de um ator cuja história é parte da evolução do teatro brasileiro moderno.
Uma voz marcante, uma máscara facial e movimentos econômicos mas que poderiam carregar nas tintas para uma comédia mais desabrida, caso fosse necessário.
Mais do que ter podido acompanhar a carreira teatral de Ítalo, comprovei sua importância de Ator emblemátco nos compêndios sobre a evolução e a modernização do teatro brasileiro. Seu nome e sua imagem são figuras que não podem faltar a qualquer livro que se arvore a acompanhar a trajetória dos nossos palcos dos anos cinquenta para cá.
Egresso do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) do industrial paulista e mecenas Franco Zampari (donde vieram também Cacilda, Cleide, Maria della Costa, Walmor Chagas, Fernanda, Sérgio, Tônia Carrero, Paulo Autran, e muitos outros deuses deste olimpo teatral), Ítalo fez parte de uma geração que pavimentou o caminho para que hoje pudéssemos ser atores mais dignos nesse país (não consigo me furtar da voz de ator nessa pequena homenagem).
Até então, nossos palcos eram predominantemente ocupados por iniciativas centradas no personalismo e no carisma de alguns atores e empresários, talentosos e importantes para nossa produção como Leopoldo Fróes e Procópio Ferreira, mas que não ousaram a ponto de engajarem-se num projeto mais ambicioso artísticamente e que colocasse o Brasil na atualidade do que então se fazia mundo afora. Foi com a geração de Ítalo que começamos a ver desde o TBC e passando pelo seu Teatro do Sete, por exemplo, (companhia sua com Sérgio, Fernando e Fernanda) repertórios que mesclavam num sentido sistemático, as peças de vaudeville ou boulevard de um Feydeau, de mais proximidade com as necessidades comerciais de toda companhia até autores como Bernard Shaw e Pirandelo, para citar dois. Colocação em prática de novos projetos de encenação fundados numa dramaturgia mais densa e consistente, de complexidades filosóficas e psicológicas a exigirem estudo minucioso de diretores e atores. Não havia mais espaço para o ponto (alguém que soprava o texto de dentro de um cadafalso) e nem para o caco (improviso a fim de "ganhar" a plateia normalmente com piadas e maneirismos imediatos.
Ítalo e sua geração participaram ainda do Grande Teatro Tupi, movimento pioneiro que buscava descobrir uma linguagem televisiva nos primórdios do veículo, levando ao público peças de autores fundamentais como Shakespeare, Eugene O'Neill, Arthur Miller e Tenessee Williams, e ao vivo.
Pela vinculação de seus pares e contemporâneos a um teatro que buscou sua base no texto dramático, intacto das interferências vaidosas dos intérpretes, Ítalo esteve íntimo da palavra e fez uso dela com sofisticação e maestria. Nesta entrevista que se segue, concedida a Geneton Moraes Neto pode-se perceber como que o grande ator enfatiza aquelas palavras que vê com mais necessidade de impacto, de um modo teatral e sincero.
Um ator "cerebral, cerebrino" - precisa e bela definição da crítica Tania Brandão em O Globo de 4/8 - e que nos emocionava pela maneira (moderna) de expressar-se permitindo o bailado do pensamento, das ideias e das palavras em sua face limpa, econômica, sucinta.
Grandes atores e personalidades como Ítalo não morrem. Vivem, insistem na lembrança.
Izak Dahora
sábado, 30 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Projeto de prolixo
à tirania do verbo, do verso e da linguagem
eu quero falar cada vez menos
eu quero falar mais com menos
quero falar menos para ouvir os falantes de outras falanges.
e satisfazer meu interlocutor de entendimento.
quero dizer tudo com aparentemente nada
eu quero falar menos difícil e ser claro como a água.
eu quero meu monólogo de um modo mais diálogo
menos bife e mais grãos. menos texto mais contexto.
Eu quero eu menos só
lilóquio
Izak Dahora
Izak Dahora
A Mário de Sá Carneiro
Não sou exatamente um engodo, uma fraude,
gênero de farsa, pseuda obra-prima da linguagem
como também escapo da autodefinição de superhomem,
de máquina.
Sou ao fim o meio
“qualquer coisa de intermédio”, às vezes grande às vezes pequeno
na maior parte do tempo medíocre,
cônscio da ignorância fundamental de todos,
mas convicto de ter algum recheio
não sendo simplesmente casca, eu.
Tentando escapar dos riscos da bipolaridade,
feliz pelo auge e pela queda
-pois ambos partes de meu todo ambíguo- vou errando...
E daqui a alguns anos, lá na linha de chegada
com o peso dos anos e os erros da experiência
poderei me dizer pouco mais que razoável.
Izak Dahora
Sonho de trova
Meu sonho é ver meu verso virar canção.
Não lê-lo; ouví-lo, quando neste dia
for surpreendido pela nova possibilidade
de algo que rompeu de mim e eu não percebia.
Quando tudo que me é ruído e som das vozes que me
assaltam e as escrevo, se tornarem melodia.
Quero ser um trovador
Quero ser o que já foi caminhando errante
sobre os caminhos de pedra da Idade Média
embriagado em noite alta.
E gozar de ver meu verso fazer soprar delírios
nos ouvidos da mulher amada.
Izak Dahora
Izak Dahora
domingo, 22 de maio de 2011
Identidade(s) brasileira(s).
Tenho andado muito interessado na investigação da identidade brasileira, na brasilidade, no que realmente sejamos...
Links de palestras sobre a identidade brasileira. Vídeos da CPFL Cultura exibidos no programa Café Filosófico, Tv Cultura - que eu aprecio e recomendo. Palestrando: Antonio Medina Rodrigues, Demétrio Magnoli e José de Paula Ramos Jr.
http://www.cpflcultura.com.br/site/2009/11/30/integra-a-identidade-brasileira-mito-e-literatura-jose-de-paula-ramos-jr/
Izak Dahora
Links de palestras sobre a identidade brasileira. Vídeos da CPFL Cultura exibidos no programa Café Filosófico, Tv Cultura - que eu aprecio e recomendo. Palestrando: Antonio Medina Rodrigues, Demétrio Magnoli e José de Paula Ramos Jr.
http://www.cpflcultura.com.br/site/2009/11/30/integra-a-identidade-brasileira-mito-e-literatura-jose-de-paula-ramos-jr/
Izak Dahora
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