segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Joaquim Maria...



Cem anos sem Machado. Nada de melancolia ou sentimentalismos forjados. Machado não gostaria de nada disso. Apreciaria, antes, a leitura contumaz de seus livros e a perpetuação do seu olhar crítico sobre o mundo. Assim, penso, é reviver o escritor, que, autodidata, e do alto do Morro do Livramento, desceu rumo a Academia, a qual ele próprio iria fundar. Cem anos sem Machado são cem anos com Machado - e com todas as personagens emblemáticas que fazem, hoje e sempre, parte da mais alta estirpe da nossa literatura.

A prosa elegante, perceptível na economia e na objetividade do estilo (genéricamente realista), trabalhada sem deixar de exigir minúcia e profundidade, a ironia fina, o olhar arguto e mordaz acerca da natureza humana. E o tratamento mais que especial - sem perder de vista o tom crítico, claro, sempre - daquela cidade do Rio de Janeiro século-dezenovista da Rua do Ouvidor, do Passeio Público, de Botafogo, de Laranjeiras, da Gamboa, enfim... Machado, que também era Quincas, como um de seus mais célebres personagens . Joaquim Maria Machado de Assis, imortal pelo que criou e pelo que deixou como legado.

Escrevo este texto com ânsia de ainda lê-lo mais.

domingo, 28 de setembro de 2008



"Eu sou um anão, se enxerguei mais longe foi porque subi no ombro de um gigante"


Isaac Newton - meu xará!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Me coloco permanente no lugar da crise
Porque só dela é que posso sair algo novo.
Por isso acho sempre que não acho
Para ver se me acho
Aonde saberei que não sabia.
Filosofia.
É me achando vazio que
intuitivamente, mais que em movimento, ajo
e já, tão logo, de repente,
me descubro de algo novo preenchido.


Izak Dahora
Sim, continuarei escrevendo.
Continuarei escrevendo versos para você, minha cara.
E não haverá entre nós de ser o tempo na sua divers(idade) clara
A tornar menos críveis nosso sentimento, nossos encontros.

Farei como este todos os poemas lembrarem de ti,
Buscarei palavras, sondarei enigmas
Que te possam justamente definir.
Embora tão ampla seja de si mesma você.


Izak Dahora

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Queria encontrar o mundo
Eu ignaro talvez até de mim, do meu próprio eu desnudo
Como um corpo sem sentido nem conteúdo.

E foi então que o mundo me achou, e descobriu-me
e me abraçou com violência
-toda a violência do mundo!

Tanta que não tive força para dele me desgarrar.
Meu corpo calou no abraço mudo,
Faltou a voz e o meu peito gritava surdo.

Tanto quis
E tive como resposta a chaga, a miséria, a ignorância.

Queria descobrir o mundo
Só que agora, um tanto ou quanto mais maduro,
Percebo que o que descobri, na verdade,
De Tudo,
É que fantasiava eu tudo.
E que o mundo, docemente atroz,
Me estava sendo sincero
Mais do que eu próprio.
Eu, cego que estava de no meu mundo crer.

E por instantes com o Mundo, todo em meus braços,
Impelido por cena e símbolo ao sentimento maternal da Virgem
[tal qual na Sagrada Escritura]
Quis enxergar o mundo com dó e idealização
Quando o que tinha, na verdade,
e mais do que tudo,
era a verdade crua do mundo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

MAIS MAIAKÓVSKI!!!

Amor (1923)

(...)
Ressuscita-me
ainda que mais não seja,
porque sou poeta
e ansiava o futuro
Ressuscita-me
lutando contra as misérias do cotidiano.
Ressuscita-me
por isso.
Ressuscita-me
quero acabar de viver o que me cabe,
minha vida
para que não mais existam amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
que sacrificar-se por uma casa, um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
a família
se transfome
e o pai
seja pelo menos o Universo
e a mãe
seja pelo menos a Terra.

MAIAKÓVSKI

BRILHAR PRA SEMPRE
BRILHAR COMO UM FAROL
BRILHAR COM BRILHO ETERNO
GENTE É PRA BRILHAR
QUE TUDO O MAIS VÁ PRO INFERNO
ESTE É O MEU SLOGAN
E O DO SOL

domingo, 17 de agosto de 2008


O céu virou mar.

Caymmi se foi.


Fiquei arrepiado de emoção. A notícia da morte de Caymmi dada por minha mãe na manhã de sábado último, 16/08, fez-me recordar a infância. Isso mesmo! Sou de uma geração de duas décadas apenas diante das mais de noventa do aqui homenageado, mas em minha casa, muito em função de minha mãe, sempre toucou - e muito - Mpb. Lembro-me de que os três primeiros cds comprados, assim que nossa casa recebeu aparelho próprio dos cds - até então, tínhamos apenas um modesto aparelho que só servia para o rádio, e olhe lá! - eram de Caymmi, Elis e Leila Pinheiro. Ali iniciou-se minha paixão pelo nacional, nossa paisagem, nossa gente e nossa cor mestiça, através das das letras e das melodias de nossos poetas gigantes da canção.

E, por alguma força estranha e cósmica, estava eu ouvindo no meu quarto, enquanto fazia uma merecida faxina, Danilo, uma das três heranças do mestre. Nem preciso dizer que sou fã de toda família...E há dias pensava em ouvir as canções de Mestre Dorival...


Caymmi: tão simples e ao mesmo tempo tão essencial! Vital para os baianos! Fundamental na nossa música. Já sucesso na voz de Carmem Miranda. Caymmi cantando "O Que é Que a Baiana Tem" e balançando os olhinhos é divino! Aquele velho doce, de voz aveludada e quente - curiosamente sem perder o frescor e a leveza que lhe trazia o mar de Itapuã. "O mar/Quando quebra na praia/É bonito..."

O mesmo mar em que Caymmi já prenuncia o cenário de "sol, sal e sul" bossa-novista, por meio, não só das letras solares mas, musicalmente falando, das harmonias e acordes simples porém sofisticados. Não à toa, em 1964, "Caymmi Visita Tom", disco referencial da música brasileira, no qual fica provada a riqueza do compositor para os críticos de música que, antes, apedrejavam o velho - só consigo pensar nele velho! Impressionante! Deve ser a sabedoria que emanava... E Caymmi quis ser velho, soube sê-lo, da maneira mais poética e preguiçosa do mundo.


Caymmi fez de Maracangalha a sua Passárgada. Pedacinho de paraíso que os baianos podem, mui legitimamente, reivindicar para si próprios. Mas que também poderia ser Copacabana - a dos anos quarenta e cinqüenta, naturalmente. Ele que ele tanto amou o Rio.

O céu agora ficará ainda mais calmo, como todos nós idealizamos, pois agora conta com a presença carinhosa, sábia e majestoja de Caymmi.

"Eu vou pra Maracangalha, eu vou..."